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Aventura nos Andes


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Sobre a viagem

  • 11.055 kilometros rodados no asfalto
  • Data de saída: 04/08/2008
  • Data de chegada: 05/09/2008
  • 05 kg de erva mate para o chimarrão
  • Veículo: Range Rover (Land Rover), gasolina, 08 cilindros, 286 hp
  • 1.567 litros de combustível
  • 7.05 km por litro de média geral
  • 05 paises: Brasil, Argentina, Chile, Peru, Uruguai
  • Objetivo: ir de carro a Machu Pichu (Peru), conhecendo com calma, de cuia na mão, cada atração turística em todo o percurso, pernoitando pelo menos 02 noites em cada cidade importante no caminho.

Principais atrações

Brasil: Em São Miguel das Missões as Ruínas Jesuítas. Em São Borja, Museu de Getulio Vargas, na casa onde morou, e a Casa de João Goulart. No dia em que à visitamos estava em reformas para também ser transformada em museu.

Dois ilustres gaúchos que foram Presidentes do nosso país. Vale a pena.

Argentina: Salta, Cordilheira, Cerro de 07 cores em Purmamarca, Salina Grande, Mendoza, Museu do Chê em Alta Gracia, Córdoba, Túnel no Rio Paraná.

Chile: Cordilheira, Deserto do Atacama, Salar do Atacama, Geigers Del Tatio, Vale da Lua, Vale da Morte, Arica, Museu de Guerra em Arica, Iquique, Museu Naval em Iquique, Museo Mineralógico em Copiapó, La Serena.

Peru:Cordilheira, Puno, Lago Titicaca, Cusco, Machu Pichu, Linhas de Nazca, Litoral Peruano (Rodovia Panamericana), Arequipa.

Uruguai: Salto,Termas do Hotel Horacio Kiroga em Salto (visite também a hidrelétrica ao lado do hotel).

Personagens: Claudia e Paulo Lima (monge)

Bete e Paulinho de Paula

Responsabilidades

Roteiro, planilhas, veículo: Paulinho de Paula

Reservas de hotéis: Monge

Conferência do roteiro durante a viagem: Claudia

Chimarrão: Bete

Saída : Taquara/RS 04/08/08 08:20 hrs

Chegada: Taquara/RS 05/09/08 16:30 hrs

Duração da viagem : 33 dias

Documentos

Veículo: Certificado de Propriedade e Carta Verde (o corretor de seguros providencia).

Se o veiculo estiver em nome da empresa é necessário uma autorização da mesma. Se estiver financiado, é necessária uma autorização da financeira para o veículo sair do Brasil.

Pessoas: Cédula de Identidade e carteira de motorista (CNH). Por questão de segurança, levamos os passaportes, carteira com a vacina de febre amarela, e carteira de motorista internacional.

Planilha com o roteiro

A nossa planilha com o roteiro, distâncias, e cidades que pernoitamos está AQUI.

04/08/08 – Taquara a São Borja (BR) – 656 km

Saímos pela manhã de nossa cidade, Taquara/RS , visitamos as Ruínas Jesuítas de São Miguel das Missões à tarde e terminamos nosso primeiro dia em São Borja.

A “tchurma”, da esquerda para a direita: Paulinho, Beti, Monge e Cláudia

A “tchurma”, da esquerda para a direita: Paulinho, Beti, Monge e Cláudia

05/08/08 – São Borja (BR) a Corrientes (ARG) – 405 km

Pela manhã, em São Borja, visitamos a casa de Getulio Vargas e a casa de João Goulart (em reforma). Seguimos viagem, atravessando a fronteira onde o Rio Uruguai faz a divisa, entrando na ARGENTINA. Almoçamos em Ituzango e à tarde chegamos em Corrientes, cidade que pernoitamos em um hotel as margens do rio Paraná. O percurso é todo plano.

Ponte General Belgrano, sobre o Rio Paraná, ligando as cidades argentinas de Corrientes e Residência

Ponte General Belgrano, sobre o Rio Paraná, ligando as cidades argentinas de Corrientes e Residência

06/08/08 – Corrientes (ARG) a Salta (ARG) – 850km

Neste dia fizemos o maior percurso de toda a viagem, 850 km. Na noite anterior compramos todo o necessário para a Bete e a Claudia fazerem sanduíches durante o dia, porque enfrentamos o “CHACO’’, região bastante árida. Não existe dificuldade com o abastecimento de combustível, porque nos três últimos anos muitos postos foram abertos, porém não existe restaurante decente. Chegamos em Salta ao anoitecer, já na pré cordilheira à 1.200 m.s.n.m..

Catedral de Salta (ARG)

Catedral de Salta (ARG)
Salta, igreja de San Francisco
Salta, igreja de San Francisco

07/08/08 – Salta (ARG) a San Salvador de Jujuy (ARG) – 102 km

Salta, no noroeste da Argentina é uma cidade antiga e muito bonita. Conhecer a Praça de Armas com a Catedral , os prédios históricos, o morro do teleférico com a vista da cidade e da cordilheira, foi muito legal. Uma curiosidade: em todas as cidades, cujos países foram colonizados por espanhóis, a praça central é chamada de Praça de Armas, porque é nela que no Dia da Pátria, as tropas militares desfilam exibindo as armas. Se você quer chegar no centro, pergunte onde fica a Praça de Armas.

Nesta região que teve inicio a colonização do país.

Neste dia fizemos o menor percurso de toda a viagem, coincidentemente o contrário do dia anterior. Esta estratégia foi usada por dois motivos: em primeiro lugar, no trecho entre Corrientes e Salta não existe hotel, então fomos obrigados à enfrentá-lo em um dia.

Em segundo lugar, tendo conhecido as principais atrações de Salta na noite de ontem e na manhã de hoje, aproveitamos à tarde para adiantar o trecho do dia seguinte. Este relato é detalhado porque o fizemos pensando em quem quiser repeti-lo. Não é possível fazer em um só dia de Salta até San Pedro de Atacama (579 km), porque é um dos trechos mais bonitos da Cordilheira, você faz muitas paradas para contemplar e fotografar. Chegamos em San Salvador de Jujuy ao entardecer.

Salta, vista do morro do teleférico, com a Cordilheira dos Andes ao fundo

Salta, vista do morro do teleférico, com a Cordilheira dos Andes ao fundo
imagens/viagens/1/07_08_08_2.JPGAlmoço n o caminho de Salta para San Salvador de Jujuy
Almoço n o caminho de Salta para San Salvador de Jujuy

08, 09 e 10/08/08 – San Salvador de Jujuy ( ARG ) à San Pedro de Atacama ( CHI ) – 477 km

Saímos ao alvorecer, ainda escurinho, o chimarrão correndo. Para quem nunca andou no deserto e na cordilheira dos Andes, este trecho que faremos hoje é inesquecível. Hoje iremos enfrentar a Cordilheira. Seguimos em direção a Purmamarca, e na estrada começamos a observar que as montanhas são áridas porém coloridas, isto devido a coloração própria de cada minério. Ou seja, uma montanha com coloração verde, indica que ela tem minério de cobre, se ela tiver a cor amarelada, indica a existência de enxofre, se ela tem a cor avermelhada, significa ferro e assim por diante. Ao chegar a Purmamarca, podemos apreciar, da rodovia mesmo, o Cerro De Los Siete Colores. Purmamarca é uma pequena cidade a beira da rodovia, que tem como atração principal uma linda feira de artesanatos, a qual fomos visitar.

Seguindo viagem, almoçamos em Susques (ARG) à 3675 m.s.n.m, na Hosteria Pastos Chico, onde também existe um pequeno Posto de Gasolina. Aproveite para abastecer, porque não existe mais abastecimento até San Pedro de Atacama, que fica a 315 km.

Na continuação do roteiro, passamos pela aduana argentina, no meio do deserto, onde aproveitamos para tomar o primeiro chá de coca da viagem. Depois da aduana, em seguida vimos a placa oficial de divisa de países. Já estávamos no Chile, mas ainda no deserto.

Ao entardecer estávamos a 5100 m.s.n.m passando ao lado do vulcão Licancabur. Parei o carro, desci e tentei fumar um cigarro, mas o ar é tão rarefeito, que até isso é difícil, porque o cigarro não queima direito. A temperatura era de -5 graus, gelado porém seco. Embarcamos e iniciamos o que para mim é a maior distância de descida sem um único trecho plano. Descemos 40 km em grandes retas, indo de 5100 m.s.n.m a 2450 m.s.n.m, ou seja, descemos 2650 metros em 40 km e a temperatura subiu 18 graus. Isso tudo em menos de 1 hora. Neste percurso, use ao máximo o freio motor, não deixe o carro ganhar velocidade e ande no máximo a 60 km/h.

Nós contamos nessa descida 13 pistas de emergência, que são feitas de brita, na diagonal da pista principal, com um perfil de meia lua. Se o veículo perde os freios o motorista desvia para uma dessas pistas, pois a tendência é atolar na brita. No final desta descida chegamos na aduana chilena, na entrada da pitoresca San Pedro de Atacama. A temperatura é de 13 graus e já anoiteceu. Nesta cidade dormimos três noites, sexta, sábado e domingo. Tivemos dois dias inteiros para explorar a região. No centrinho de San Pedro existem diversas oficinas de turismo, onde são vendidos os passeios em Vans que passam nos hotéis. Os passeios principais são: Vale da Lua, Vale da Morte, Salar de Atacama, Reserva dos Flamingos, Museu Arqueológico Gustavo Le Paige e Geigers Del Tatio (Imperdível), situado a 4300 m.s.n.m. Tenha sempre água e manteiga de cacau, porque a gente sente muita sede e a pele resseca. Leve também um creme hidratante.

imagens/viagens/1/08_08_08_1.JPGArtesanato em Purmamarca

Artesanato em Purmamarca
Purmamarca
Purmamarca
Cordilheira dos Andes em direção ao Atacama
Cordilheira dos Andes em direção ao Atacama
Cordilheira dos Andes
Cordilheira dos Andes
Cordilheira dos Andes
Cordilheira dos Andes
Salar Salinas Grandes, ao fundo
Salar Salinas Grandes, ao fundo
imagens/viagens/1/08_08_08_8.JPGSalinas Grandes (ARG)
Salinas Grandes (ARG)
Salinas Grandes (ARG)
Salinas Grandes (ARG)
Salinas Grandes (ARG)
Salinas Grandes (ARG)
Salinas Grandes (ARG)
Salinas Grandes (ARG)
Cordilheira dos Andes (ARG)
Cordilheira dos Andes (ARG)
San Pedro de Atacama (CHI)
San Pedro de Atacama (CHI)
San Pedro de Atacama (CHI)
San Pedro de Atacama (CHI)
Ao fundo, vulcão Licancabur (CHI)
Ao fundo, vulcão Licancabur (CHI)
Ao fundo, Salar de Atacama, início da descida de 42 km
Ao fundo, Salar de Atacama, início da descida de 42 km

11/08/08 – San Pedro de Atacama à Arica – 695 Km

Saímos antes das 7 da manhã, e depois de andar 110 km chegamos a Calama, cidade que já pertenceu a Bolívia, até ser ocupada por tropas chilenas em 1879, município com 150 mil habitantes, e que tem como apelido turístico “Terra do Sol e Cobre”, por ser uma cidade ensolarada e mineradora. É a principal cidade da região onde estão localizadas diversas empresas mineradoras. Há poucos quilômetros dali, seguindo viagem, passamos pela cidade de Chuquicamata, cidade mineira que recentemente teve sua população evacuada para Calama, tendo em vista a grande poluição causada pelas próprias mineradoras. Ela se tornou uma cidade fantasma.

Saindo de Chuquicamata seguimos pela rodovia 24 até a rodovia 5, onde dobramos à direita em direção a Arica, ao norte.

À tarde começamos as descidas e subidas, passando pelos vales semi áridos, onde são cultivadas verduras, hortaliças e oliveiras. A região é grande produtora de azeitonas, principalmente as pretas.

À tardinha estamos chegando à Arica, no litoral do oceano pacífico.

Aproveite a noite para caminhar no centro e visite a igreja de ferro e madeira, projetada por Gustave Eiffel, o mesmo que construiu a torre em Paris. O nome desta igreja é Catedral San Marcos.

Vale da Lua (CHI)

Vale da Lua (CHI)
A caminho de Arica (CHI)
A caminho de Arica (CHI)
A caminho de Arica (CHI)
A caminho de Arica (CHI)
A caminho de Arica, irrigação artificial em um dos vales
A caminho de Arica, irrigação artificial em um dos vales
Estrada cortando as montanhas de areia
Estrada cortando as montanhas de areia
Pequenas comunidades nos vales áridos a caminho de Arica
Pequenas comunidades nos vales áridos a caminho de Arica
Pequenas comunidades nos vales áridos a caminho de Arica
Pequenas comunidades nos vales áridos a caminho de Arica
Igreja em Arica (CHI), projetada por Gustav Eiffel
Igreja em Arica (CHI), projetada por Gustav Eiffel
Igreja de San Marcos
Igreja de San Marcos

12/08/08

Aproveitamos para circular na cidade, de carro e também caminhando. Visitamos a região das oliveiras, o museu histórico e de armas, no monte Arica, onde é contada a história da Guerra do Pacífico, por volta de 1870. Lá podemos ver os uniformes e armas usadas na época. O Chile esteve em Guerra com a Bolívia e o Peru. Saiu vitorioso!

Campo de Golfe na areia

Campo de Golfe na areia
Petroglifos, em Arica
Petroglifos, em Arica
Museu de Armas, no Monte Arica
Museu de Armas, no Monte Arica

13/08/08 – Arica (CHI) à Puno (PERU)

Saímos cedo e 20 km depois já estávamos na Aduana para entrarmos no Peru. Papelada feita e carimbada, nossa próxima parada foi Tacna, cidade antiga com uma avenida extensa com palmeiras no canteiro central. A catedral é muito visitada.

Seguimos em direção à Moquegua, onde a entrada da cidade é bonita, mas a cidade é muito feia. Demos uma breve volta de carro e seguimos em direção à Desaguadero e depois para Puno, à 150 km. Não fomos direto de Moquegua para Puno porque existe um trecho que não estava asfaltado. Nossa opção foi por Desaguadero, tudo asfaltado. Chegamos em Puno à noite. Este trecho que fizemos hoje é percorrido na maior parte do tempo na Cordilheira, então prepare-se para subir e descer muito, com um milhão de curvas! Saia bem cedo porque na aduana demoramos duas horas. A rodovia é muito boa, e a paisagem, de tirar o fôlego.

Catedral de Tacna, (PERU)

Catedral de Tacna, (PERU)
Tacna (PERU)
Tacna (PERU)
Praça em Moquegua (PERU)
Praça em Moquegua (PERU)
Subindo para Puno (PERU)
Subindo para Puno (PERU)
No deserto, a caminho de Puno
No deserto, a caminho de Puno
No deserto, a caminho de Puno
No deserto, a caminho de Puno

14/08/08

Pela manhã navegamos no Lago Titicaca, à 3.800 metros sobre o nível do mar, e visitamos as ilhas flutuantes dos índios Uros, construídas de juncos. As casas e o barcos desta tribo também são feitos de juncos. Estas ilhas são ancoradas no fundo da lagoa com blocos de pedra amarradas em cordas. À tarde visitamos a ilha Taquile, a 35 km de Puno. Existem barcos que fazem o percurso em 1 hora e outros que demoram até 4 horas. Tudo questão de preço.

Esta ilha é habitada há pelo menos 10.000 anos conforme ruínas incaicas e pré incaicas. Habitam os índios Quíchua, não existe eletricidade e automóveis. A noite caminhamos pela cidade.

Puno (PERU)

Puno (PERU)
Lago Titicaca
Lago Titicaca
Lago Titicaca
Lago Titicaca
Lago Titicaca
Lago Titicaca
Lago Titicaca
Lago Titicaca
Lago Titicaca
Lago Titicaca
Lago Titicaca
Lago Titicaca
Lago Titicaca
Lago Titicaca
Ilha Taquile, Lago Titicaca
Ilha Taquile, Lago Titicaca
Ilha Taquile
Ilha Taquile
Ilha Taquile
Ilha Taquile
Ilha Taquile
Ilha Taquile
Ilha Taquile
Ilha Taquile
Ilha Taquile
Ilha Taquile
Ilha Taquile
Ilha Taquile

15/08/08 – Puno à Custo – 387 km

Este trecho alterna montanhas e vales explorados pela monocultura. Quando observados do alto das montanhas, estes vales parecem uma colcha de retalhos coloridos porque as áreas cultivadas são pequenas e diversificadas. O terreno acidentado não permite o uso de grandes máquinas. A terra é roxa, muito fértil. Nesta região, as casas são feitas de adobe, mistura de barro e palha. Região de pequenas olarias à beira da rodovia.

Chegamos em Puno no fim da tarde e nos hospedamos em um hotel no centro histórico.

A noite, caminhamos pelo centro histórico e compramos um pacote turístico para conhecer as Ruínas Incas nos arredores de Cuzco.

Saindo de Puno, ao fundo Lago Titicaca

Saindo de Puno, ao fundo Lago Titicaca
Puno, e Lago Titicaca
Puno, e Lago Titicaca
Puno
Puno
Puno
Puno
Puno
Puno
A caminho de Cusco
A caminho de Cusco
A caminho de Cusco
A caminho de Cusco
A caminho de Cusco
A caminho de Cusco
A caminho de Cusco
A caminho de Cusco

16, 17 e 18/08/08

Cuzco foi a capital do Império Inca e está a 3.360 m.s.n.m, e seu nome quer dizer “umbigo do mundo”, ou Qosq’o, em Inca. É também considerada a capital arqueológica das Américas e Patrimônio da Humanidade. A cidade tem uma mistura de antigas muralhas incas preservadas com palácios e igrejas barrocas construídas pelos espanhóis a partir do século 16. As lojas de artesanatos são abundantes.

No sábado, visitamos os arredores de Cuzco, incluindo a feira de Pisac. No domingo, dedicamos todo o dia só para a cidade de Cuzco. Visitamos muitas igrejas.

Na segunda-feira, dia 18, pegamos o trem para Águas Calientes, ao pé da montanha onde está Machu Picchu.

São 4 horas de trem até Águas Calientes, pequena cidade com muitos restaurantes e artesanatos. Ali todos desembarcam, é o fim da linha. Para subir até Machu Picchu, somente em microônibus exclusivos. É tudo bem organizado, tanto os trens como os microônibus.

Existe também um trem de luxo, mais rápido e mais confortável, porém com o preço bem salgado. O nome deste trem é uma homenagem ao arqueólogo americano que descobriu Machu Picchu em 1911, Hiram Bingham.

Localizado a 2.330 m.s.n.m, Machu Picchu fica a 1.000 metros abaixo de Cuzco. Ela é dividida em dois setores bem distintos: uma área agrícola, demarcada pelos degraus que sobem as encostas das montanhas, e uma área urbana, com as casas, praças, observatórios, torres, etc.

Os encaixes dos blocos de pedras usadas na construção desta cidade, é algo que deixa todo o turista muito admirado. Como conseguiram fazer tudo aquilo em um lugar de tão difícil acesso? Eu posso escrever palavras e mais palavras, mas não vou conseguir transmitir o que é Machu Picchu. É mágico e místico estar lá.

Ao entardecer, retornamos com o trem para Cuzco.

Placa no Museu de Cusco, cronologia de assentamentos de humanos em Cusco

Placa no Museu de Cusco, cronologia de assentamentos de humanos em Cusco
Cusco, Centro Histórico
Cusco, Centro Histórico
Cusco, Centro Histórico
Cusco, Centro Histórico
Cusco, Centro Histórico
Cusco, Centro Histórico
Catedral,  no centro de Cusco
Catedral, no centro de Cusco
Festa popular em Cusco
Festa popular em Cusco
Festa popular em Cusco
Festa popular em Cusco
Festa popular em Cusco
Festa popular em Cusco
Festa popular em Cusco
Festa popular em Cusco
Festa popular em Cusco
Festa popular em Cusco
Festa popular em Cusco
Festa popular em Cusco
Festa popular em Cusco
Festa popular em Cusco
Arquitetura em Cusco
Arquitetura em Cusco
Arquitetura em Cusco
Arquitetura em Cusco
No trem, de Cusco para Machu Picchu
No trem, de Cusco para Machu Picchu
Início da trilha inca, ao lado da ferrovia
Início da trilha inca, ao lado da ferrovia
Início da trilha inca, ao lado da ferrovia
Início da trilha inca, ao lado da ferrovia
Em direção a Machu Picchu
Em direção a Machu Picchu
Em direção a Machu Picchu
Em direção a Machu Picchu
Vilarejo de Águas Calientes
Vilarejo de Águas Calientes
Subindo para Machu Picchu
Subindo para Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Machu Picchu
Águas Calientes, ao pé de Machu Picchu
Águas Calientes, ao pé de Machu Picchu
Águas Calientes, ao pé de Machu Picchu
Águas Calientes, ao pé de Machu Picchu
Estação em Águas Calientes
Estação em Águas Calientes

19/08/08 – Cuzco à Nazca – 650 km

Preparem-se. Foi o dia que eu e o Paulo mais fizemos curvas em nossas vidas. A rodovia é boa, com um pequeno trecho (20 km) mal conservado. Mas é um sobe e desce incrível. Estamos em plena Cordilheira dos Andes indo em direção p/ oeste, para o pacífico, cortando os Andes na horizontal.

Foi normal, o dia todo, subir uma montanha de 4.000 a 4.500 m, chegar ao topo e começar a descer até chegar no vale, onde você anda mais 5 ou 8 km até começar a subir a próxima montanha. Em determinados momentos, no topo das montanhas, nós olhávamos para baixo para ver as nuvens como se estivéssemos em um avião.

À noite, próximo à Nazca, mas ainda nas montanhas, ultrapassamos um caminhão e pouco adiante fizemos mais uma curva de 180 graus à direita, descendo. Pois tive que pedir farol baixo para o caminhão, pois naquele momento estávamos em sentido oposto. E esta é só para ilustrar o que é esta estrada.

Aproveitando a ocasião, vale lembrar que para viajar nos Andes, o motorista deve usar muito as marchas corretas do seu veículo, aproveitando ao máximo o freio motor, para diminuir ao mínimo o desgaste das pastilhas. Geralmente a mesma marcha que é usada para subir, deve ser usada para descer. Descer é muito mais perigoso que subir. Tenha sempre o carro engrenado, jamais use o ponto morto para poupar combustível. Já fiz diversas travessias pela Cordilheira, em regiões diferentes, no sul, no centro e no norte, e posso garantir que esses são cuidados que fazem você chegar a seu destino.

Poupar as pastilhas, não é pensando no custo financeiro, e sim no fato de que você está em uma das cadeias montanhosas mais altas do mundo, e precisa preservar para ter quando precisar.

Chegamos em Nazca à noite.

Em tempo: para este trecho é bom levar pães e frios para ir preparando sanduíches durante o dia. Poucas são as opções para almoçar.

Casa de Adobe

Casa de Adobe
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
Colcha de Retalhos e a rodovia “serpentiando”, a caminho de Nazca
Colcha de Retalhos e a rodovia “serpentiando”, a caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
Tentando chegar em Nazca
Tentando chegar em Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca
A caminho de Nazca, a quase 5 mil metros de altura. Repare, ao fundo, o topo das montanhas
A caminho de Nazca, a quase 5 mil metros de altura. Repare, ao fundo, o topo das montanhas

20/08/08 – Nazca à Arequita – 566 km

Hoje temos um trecho mais plano até Arequipa, por isso dedicamos a parte da manhã para conhecer as famosas linhas de Nazca, figuras descomunais desenhadas no chão do deserto há mais de 2.000 anos.

Eram os deuses astronautas?

Saímos do hotel e fomos até o pequeno aeroporto onde existem várias companhias com aviões de pequeno porte, de 4 ou 8 lugares, que são fretados para sobrevoar os desenhos. As cadeiras do aeroporto são de bambu. Antes de levantar vôo, que dura de 30 a 40 minutos, o piloto dá a cada passageiro um pequeno mapa, onde consta, em linha tracejada, o percurso e as figuras numeradas. Exemplo: 1-baleia, 2-aranha, 3-macaco, 4-astronauta, 5-papagaio, etc.

Voamos a 300 metros e fizemos duas passagens em casa desenho, pela esquerda e pela direita.

Você identifica claramente os desenhos. É muito bonito, muito interessante.

O piloto explica como eles conseguiam fazer aqueles desenhos daquele tamanho e precisão. Eu, porém, não vou contar. Tem que ir lá, ou pesquisar.

Depois do vôo, seguimos viagem em direção ao oceano pacifico, onde parte da descida é feita junto à costa. Todo o dia a paisagem muda na cordilheira. Fizemos um longo trecho no deserto plano, até chegarmos às montanhas arenosas da costa. O deserto montanhoso nesta região chega até o mar. É uma visão completamente diferente do que nós estamos acostumados aqui no Brasil.

A rodovia é feita na encosta arenosa. Você está dirigindo para o sul, à esquerda uma montanha arenosa, sem uma única vegetação, inclinada a 45 graus, você tem que levantar a cabeça na janela para tentar ver o cume, e à direita o precipício inclinado até o mar. Eu não vou dizer o nome, mas tinha gente que suava as mãos quando dirigia nestes trechos. Pouco trânsito de veículos e vento moderado constante fazem com que a areia acumule em pequenos trechos, mas nada que impeça a passagem. As equipes de remoção e manutenção existem e trabalham muito, mas não conseguem dar conta 100%, porque é impossível.

Pegamos a nossa primeira tempestade de areia neste dia, em um trecho plano, paralelo ao mar.

Você ouve o barulho da areia batendo no carro. Ligamos os faróis e diminuímos a velocidade para 20 km/h.

Para chegar em Arequipa, a rodovia se afasta do litoral, indo um pouco para dentro do continente novamente, fazendo com que a gente ande outra vez nas montanhas dos Andes, com seus inevitáveis “sobe e desce”, porém sempre com paisagens incríveis.

As máquinas fotográficas e de filmagem não saem das mãos.

Já entrava a noite quando chegamos em Arequipa.

Aeroporto de Nazca

Aeroporto de Nazca
Mapa com trajeto que fizemos para observar as figuras de Nazca
Mapa com trajeto que fizemos para observar as figuras de Nazca
Antes de embarcar
Antes de embarcar
Antes de levantar vôo
Antes de levantar vôo
Taxiando
Taxiando
Taxiando
Taxiando
Figura de um macaco
Figura de um macaco
Aranha
Aranha
Colibri
Colibri
Colibri
Colibri
Colibri
Colibri
Condor
Condor
Papagaio
Papagaio
As mãos
As mãos
Papagaio
Papagaio
Papagaio
Papagaio
Vista da rodovia, de volta para o aeroporto
Vista da rodovia, de volta para o aeroporto
Vista da rodovia, de volta para o aeroporto
Vista da rodovia, de volta para o aeroporto
Vista da rodovia, de volta para o aeroporto
Vista da rodovia, de volta para o aeroporto
Vista da rodovia, de volta para o aeroporto
Vista da rodovia, de volta para o aeroporto
Vista da rodovia, de volta para o aeroporto
Vista da rodovia, de volta para o aeroporto
Vista da rodovia, de volta para o aeroporto
Vista da rodovia, de volta para o aeroporto
Vista da rodovia, de volta para o aeroporto
Vista da rodovia, de volta para o aeroporto
Vista da rodovia, de volta para o aeroporto
Vista da rodovia, de volta para o aeroporto
De Nazca em direção a Arequipa
De Nazca em direção a Arequipa
Litoral peruano com vento muito forte
Litoral peruano com vento muito forte
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano, em direção a Arequipa
A estrada encravada na montanha, que cai direto no pacífico
A estrada encravada na montanha, que cai direto no pacífico
A estrada encravada na montanha, que cai direto no pacífico
A estrada encravada na montanha, que cai direto no pacífico
A estrada encravada na montanha, que cai direto no pacífico
A estrada encravada na montanha, que cai direto no pacífico
Litoral peruano
Litoral peruano
Litoral peruano
Litoral peruano
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano, em direção a Arequipa
Litoral peruano. Observe o perigo: muro de proteção quebrado
Litoral peruano. Observe o perigo: muro de proteção quebrado
Indo para Arequipa
Indo para Arequipa
Indo para Arequipa
Indo para Arequipa
imagens/viagens/1/20_08_08_44.JPGEm direção a Arequipa
Em direção a Arequipa
O deserto, um pequeno vale entre uma montanha e outra, com um rio desembocando no Pacífico. Estas plantações são todas irrigadas.
O deserto, um pequeno vale entre uma montanha e outra, com um rio desembocando no Pacífico. Estas plantações são todas irrigadas.
imagens/viagens/1/20_08_08_47.JPGimagens/viagens/1/20_08_08_48.JPGimagens/viagens/1/20_08_08_49.JPGHotel em Arequipa
Hotel em Arequipa

21/08/08 – Arequipa (PERU) à Arica (CHILE) – 423 km

Pela manhã circulamos pela cidade de Arequipa, situada a beira dos Andes. Ela é a segunda maior cidade do Peru e possui mais de 750 mil habitantes. É uma cidade muito antiga, porém, mantém bem conservado o seu acervo arquitetônico. Além das igrejas, destaca-se o Mosteiro de Santa Catalina.

A cidade está a uma altitude de 2.400 m.s.n.m. Ao lado dela o vulto do vulcão El Misti,com 5.821 metros. Até 1870, esta cidade era ligada ao resto do Peru apenas por trilha de mula. Nota-se que os espanhóis investiram muito nesta cidade, na época da colonização, fazendo uma espécie de quartel general do catolicismo, tamanha a quantidade de igrejas e mosteiros.

Seguimos viagem antes do meio dia em direção à Tacna e depois para a fronteira com o Chile, e por fim chegamos a Arica ao anoitecer. Desta vez só iremos pernoitar porque já passamos aqui na ida para o Peru. Se o nosso roteiro fosse desenhado ele teria a forma do número 8. Arica representa o ponto onde as linhas do oito se cruzam, por isso passamos por ela na ida e na volta.

Arequipa

Arequipa
Arequipa
Arequipa
Arequipa
Arequipa
Saindo de Arequipa, ao fundo vulcão El Misti
Saindo de Arequipa, ao fundo vulcão El Misti
Saindo de Arequipa, ao fundo vulcão El Misti
Saindo de Arequipa, ao fundo vulcão El Misti
De Arequipa em direção ao litoral
De Arequipa em direção ao litoral
O deserto com nuvem de umidade vinda do Pacífico
O deserto com nuvem de umidade vinda do Pacífico
Em pleno deserto, em direção ao Pacífico
Em pleno deserto, em direção ao Pacífico

22 e 23/08/08 – Arica à Iquique – 300 km

Este caminho acompanha o litoral, subindo e descendo as montanhas arenosas, muitas vezes passando por pequenos vales verdes, timidamente irrigados por rios rasos formados por gelo das partes mais altas da cordilheira. O contraste é incrível. O deserto, o vale, verde, rio, mar. Tudo em uma só paisagem.

No início da tarde chegamos à Iquique, cidade com mais de 200 mil habitantes, entre o oceano pacífico e a cordilheira. Para chegar à Iquique nós descemos em pista dupla pela maior duna do Chile, com mais de 800 metros de altura. Lá de cima você vê a cidade e o mar e desce pela lateral da duna em diagonal, em linha reta. É de tirar o fôlego. Esta cidade sofreu muita influencia dos ingleses, que no século 19 exploraram o salitre, componente da pólvora. Em meados do século 19 os ingleses estavam em guerra com a França de Napoleão. Deixaram muitas casas de madeira que são cuidadosamente conservadas. Ruas inteiras com estas casas são hoje um dos pontos turísticos, outro é a zona franca.

Em Iquique pernoitamos nos dias 22 e 23 de agosto de 2008.

Iquique, com a Cordilheira dos Andes ao fundo

Iquique, com a Cordilheira dos Andes ao fundo
Iquique
Iquique
Iquique
Iquique
Iquique
Iquique
Iquique
Iquique
Iquique
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Iquique
Iquique
Iquique
Iquique
Iquique
Iquique
Iquique
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Iquique
Escultura em sal, em Iquique. Como o ar sempre é muito seco, ela não se desmancha
Escultura em sal, em Iquique. Como o ar sempre é muito seco, ela não se desmancha
Iquique
Iquique
Iquique
Iquique
Iquique
Iquique
Iquique
Iquique
Iquique (CHI), Cordilheira dos Andes ao fundo, terminando direto no Pacífico
Iquique (CHI), Cordilheira dos Andes ao fundo, terminando direto no Pacífico

24/08/08 – Iquique à Antofagasta – 410 km

Cedinho na estrada, chimarrão correndo, nós em direção sul. Oceano pacífico à direita e a cordilheira à esquerda.

Sobe e desce montanhas, penhascos, sempre olhando o mar. Chuva não existe, porém, as vezes há uma neblina espessa. Passamos por Tocopilla no fim da manhã e chegamos em Antofagasta as 14:00 horas.

Cidade com 300 mil habitantes é a principal cidade do norte do Chile. Conta com um porto muito movimentado, indústrias, comércio forte (dois shoppings centers) e universidades. O clima é agradável, pois a cidade é próxima ao Trópico de Capricórnio, fazendo com que os esportes náuticos sejam bastante praticados.

Antofagasta (CHI), vista do Porto

Antofagasta (CHI), vista do Porto
Antofagasta (CHI)
Antofagasta (CHI)

25/08/08 – Antofagasta a Copiapó – 560 km

Alguns quilômetros depois da saída da cidade, já na Ruta 5, encontramos à direita uma escultura chamada “mano del deserto”. Parece uma mão gigante (8 metros aproximadamente) saindo da areia. Nesta região está a mão esquerda. O mesmo artista fez a mão direita que está exposta na praia em Punta Del Este, no Uruguai. Antes de chegar em Copiapó começamos a ver vegetação novamente. Nas duas ultimas semanas só tínhamos andado no deserto. Nesta região já observamos os primeiros vinhedos. Chegamos a tardinha, nos hospedamos e já seguimos ao centro para visitar o shopping e depois caminhar pelo centro e jantar.

A cidade é muito limpa, as casas simples, mas todas com bom aspecto, As ruas são estreitas, bem pavimentadas e arborizadas. As edificações são baixas.

26 e 27/08/08 – Copiapó a La Serena – 335 km

Antes de deixar a cidade, visitamos o “Museo Mineralogico”, onde pudemos entender porque as montanhas áridas são tão coloridas. A região desértica do Chile, Peru e Bolívia é rica em minérios, cada um com sua cor característica.

A quantidade é tão grande que a maioria está exposta. Por isso que nós, em plena cordilheira dos Andes, vivíamos rodeados de montanhas áridas, porém coloridas. As cores revelam os minérios e minerais, exemplo:

VERDE = COBRE
BRANCO = SÓDIO
AMARELO = ENXOFRE
FERRUGEM = FERRO
AZUL = LÍTIO
CINZA = POTÁSSIO

No fim da manhã seguimos para La Serena pela Ruta 5 onde chegamos no fim da tarde. Esta cidade é um capítulo à parte. Com 160 mil habitantes é a segunda cidade mais antiga do Chile e ainda preserva muitas construções em estilo neocolonial. Sofreu com muitos ataques de piratas nos séculos 16 e 17.

O centro da cidade é composto por oito quarteirões, alguns com calçadões, onde podemos apreciar as antigas casas e igrejas bem conservadas, o comércio forte e também as simpáticas feiras de artesanato. Na praia, temos a “avenida del mar”, de 6 km de extensão, onde estão os melhores hotéis e restaurantes.

La Serena, cidade balneário, é muito visitada no verão também pelos turistas argentinos que vivem no noroeste de seu país. Ao invés de atravessar toda a Argentina e todo o Rio Grande do Sul para chegar no Atlântico, eles atravessam a Cordilheira e do outro lado estão no Pacífico.

Esta travessia na cordilheira é feita pelo “Paso Água Negra” a 4.765 m.s.n.m. Ele só está aberto no verão. Tentamos passar por ele mas as autoridades chilenas nos disseram que ele ainda estava com muita neve e as aduanas fechadas.

Em La Serena nosso hotel ficava em frente ao Pacífico onde pudemos curtir o pôr do sol no mar, tomando um bom chimarrão na sacada do apartamento. Nesta cidade pernoitamos nos dias 26 e 27.

À 10 quilômetros de La Serena está a pitoresca cidade portuária de Coquimbo, onde encontramos fachadas antigas bem conservadas. Em muitas delas, em janelas ou sacadas são colocados manequins em tamanho natural, vestidos com trajes do século passado, saudando os transeuntes. Não deixe de visitar a imponente “Cruz del III milênio”, edificação recente de concreto, que já é ponto turístico com sua igreja católica e uma enorme cruz de 70 metros de altura. Dentro há um elevador que leva até os braços, onde podemos caminhar apreciando toda a cidade, o litoral e ao fundo a cidade vizinha de La Serena.

Mesmo assim, é importante conhecer o “Vale Del Elqui” à 60 km a leste de La Serena, em direção a cordilheira (leste), uma zona rural de terras férteis onde são comercializadas muitas frutas e produtos coloniais. Nesta região concentra-se a produção do pisco, aguardente elaborada da destilação de uvas moscatel. O pisco é considerada a bebida nacional do Chile.

Seguindo na rodovia, em direção ao “Paso Água Negra”, podemos conhecer diversos povoados e pequenas cidades como Vicunha, de 22 mil habitantes.

Copiapó (CHI), Museu Minearológico

Copiapó (CHI), Museu Minearológico
Copiapó (CHI), Museu Minearológico
Copiapó (CHI), Museu Minearológico
Copiapó (CHI), Museu Minearológico
Copiapó (CHI), Museu Minearológico
Copiapó (CHI), Museu Minearológico
Copiapó (CHI), Museu Minearológico
Copiapó (CHI), Museu Minearológico
Copiapó (CHI), Museu Minearológico
Copiapó (CHI), Museu Minearológico
Copiapó (CHI), Museu Minearológico
Copiapó (CHI), Museu Minearológico
Copiapó (CHI), Museu Minearológico
Cruz Del III Milênio, em Coquimbo (CHI)
Cruz Del III Milênio, em Coquimbo (CHI)
Centro de La Serena
Centro de La Serena

28/08/08 – La Serena à Los Andes – 422 km

A rodovia panamericana (Ruta 5) a partir de agora fica duplicada, uma autopista de concreto muito bem construída e bem sinalizada. Sempre em direção sul o nosso dia é muito agradável, porque além da cordilheira a esquerda com seu manto de gelo e o oceano pacífico a direita, a vegetação começa a ficar mais densa. Nitidamente notamos que estamos deixando para trás a zona árida. No meio da tarde, depois de atravessar o túnel, deixamos a Ruta 5 e entramos em uma rodovia simples em direção a Los Andes, onde chegamos logo depois.

Estamos a 80 km da capital, Santiago. Esta cidade fica literalmente aos pés da cordilheira. Caminhando a tardinha pela praça e ruas movimentadas do comércio sentimos o ar gélido que desce das montanhas. Nesta noite jantamos e nos recolhemos mais cedo porque no dia seguinte teríamos a longa travessia da cordilheira além de duas aduanas para passar.

29/08/08 – Los Andes (CHILE) à Mendoza (ARG) – 280 km

Novamente cedinho na estrada, Ruta 60, chimarrão na mão e uma parede de gelo nos aguardando. Lá fora a temperatura é de 5 graus, frio seco.

Hoje iremos atravessar a cordilheira dos Andes em direção a Argentina, indo do oeste para leste. O oceano Pacífico está atrás de nós e estamos indo em direção ao sol, que já nasceu, mas as altas montanhas nos impedem a sua visão. Surge um pequeno riacho à direita, paralelo com a rodovia. As suas águas correm rápido entre as rochas, dando idéia da inclinação do terreno. São os primeiros sinais de que já começamos a subir. Não demora muito começamos a passar por túneis e ter a visão das montanhas cobertas de gelo. Alguns túneis não são escavados na montanha, são construídos em trechos onde costumam passar avalanches de neve. Interessante é que são túneis com paredes só do lado em que vem a avalanche, e o teto, lógico. No sentido oposto são só os pilares sem o fechamento dos vãos. São construídos assim por dois motivos:

   - Em caso de uma avalanche cobrir a entrada e a saída do túnel, as equipes de socorro tem mais opções de acesso.

   - No inverno, quando o túnel está coberto mas em funcionamento, a ventilação natural do túnel ajuda a derreter o gelo que está na lateral dos pilares.

Nas fotos a seguir podemos ver um túnel com gelo trazido por avalanche e dentro do túnel à direita a parede de concreto, e à esquerda os pilares com gelo em suas bases.

Já estamos a 2100 m.s.nm., mas vamos enfrentar uma subida de 700 metros em 11 km de percurso. São mais de 30 curvas que compõe o famoso e temido trecho chamado “ Los Caracoles”. Aqui, infelizmente muitos perdem a vida anualmente, por que na rodovia não existe proteção nenhuma que impeça de cair no penhasco. Já passei cinco vezes por este trecho, subindo ou descendo, seco ou com gelo, e sempre dá um arrepio na espinha.

Chegamos a Portillo, estação de esqui com hotel de mesmo nome, bem ao lado da rodovia. Atrás do hotel, entre as duas montanhas brancas há um enorme lago congelado.

Com canecões de chocolate quente nas mãos, permanecemos por cerca de 1 hora neste local.

Em seguida, atravessamos o túnel Cristo Redentor, que marca a divisa do Chile com a Argentina, onde logo depois encontramos a aduana chilena e a argentina. No restante do dia cruzamos a cordilheira, chegando em Mendoza ao entardecer.

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30/08/08

Passamos este dia todo em Mendoza, cidade com 111.000 habitantes, distante 1.050 Km de Buenos Aires. Mendoza é uma cidade situada aos pés da cordilheira (500 m.s.n.m), com largas avenidas arborizadas, parques, um grande lago artificial, museus e um comércio forte e diversificado.

Nos arredores da cidade encontram-se grandes vinhedos, com suas respectivas “bodegas”, ou vinícolas onde os turistas são bem vindos para degustar os vinhos e conhecer as instalações, e é claro, também comprar os vinhos que mais gostaram.

Esta cidade fica em uma região muito árida. Para poder irrigar as árvores das ruas e avenidas, foram construídos diques nas montanhas a fim de captar a água do degelo, que através de canais, é distribuída para toda a cidade. Em todas as ruas e avenidas existem canaletas de 50 cm entre o meio fio da calçada e a rua. Desta maneira, conseguiram ter uma cidade bastante arborizada em uma região desértica. Não deixem de visitar o parque San Martin, bonito e grandioso.

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31/08/08 – Mendoza a Córdoba – 680 Km

Ao invés de pegar a Ruta 142, optamos pela Ruta 7 até San Luis e depois seguimos para 146. Nos informaram que a 1º opção não era a melhor no momento devido as condições da rodovia.

Fizemos 60 Km a mais, 10% do trecho deste dia, mas valeu a pena porque até San Luis a pista é duplicada. São 260 Km no deserto. As nuvens que vem do pacífico ficam retidas na cordilheira ou são lançadas pelas correntes de ar muito acima. Com este fenômeno existe uma faixa de terra árida no lado argentino, do norte ao sul do país, que varia de largura, chegando até aos 300 km para dentro do território argentino. Nesta viagem não entramos em San Luis, mas em outra viagem, no ano anterior, tivemos oportunidade de conhecer.

É uma cidade bastante antiga onde a modernidade também se faz presente. Tem sua economia baseada na exploração de sal, minérios, agricultura (milho, girassol, sorgo e centeio). Está a 700 m sobre o nível do mar (m.s.n.m). Vale a pena entrar e conhecer.

Durante a tarde viajamos por “serra chica”, uma região montanhosa de alturas consideráveis, o que nos presenteou com vistas e paisagens muito bonitas.

30 Km antes de córdoba, chegamos na cidade de Alta Gracia, onde visitamos o museu Casa Del Che Guevara, na casa onde ele viveu quando era criança. A principal atração é a motocicleta que ele e um amigo usaram para percorrer parte da América do Sul, antes de se tornar um guerrilheiro revolucionário. Para alguns, é um herói, para outros, não passa de um aventureiro que depois se tornou um assassino. Mas, queiram ou não, faz parte da história.

Comprei, na lojinha do Museu, uma camiseta e uma boina do Che. Por uns 3 segundos pensei também que poderia começar uma revolução no nosso Congresso em Brasília, mas depois desisti. Ninguém derruba a corrupção naquela ilha da fantasia.

Ao anoitecer chegamos em Córdoba.

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01/09/08 – Córdoba

Cidade enorme, movimentada, 1.270.000 habitantes e 390 m.s.n.m. Região de gado e agricultura, que a partir de 1940 começou a se transformar em potência industrial. Muitas fábricas de automóveis ( Fiat, Renaut, Ford, Chevrolet) estão instaladas aqui. Cidade muito antiga, fundada em 1573, mantém bem conservadas a arquitetura de diversas épocas.

Nos chamou atenção a quantidade de calçadões no centro. Várias esquinas de “calles peatonales” se cruzando. Outro detalhe muito bonito: ao longo dos calçadões eles fizeram uma armação aérea com ferro e tela para dar suporte aos arbustos “três marias”, que são plantadas em intervalos e que vão estendendo seus galhos na tela em cima do calçadão. Além da beleza, temos sombra.

Além de automóveis, aqui também são produzidos motores diesel, tratores, chassis para caminhões pesados e ônibus.

No centro da cidade embarcamos em um ônibus de dois andares com a parte superior sem o teto, para um tour de 2 horas, percorremos os mais variados bairros e pontos pitorescos da cidade. À noite fomos apreciar o show das águas dançantes, também no centro.imagens/viagens/1/01_09_08_1.JPGimagens/viagens/1/01_09_08_2.JPGimagens/viagens/1/01_09_08_3.JPGimagens/viagens/1/01_09_08_4.JPGimagens/viagens/1/01_09_08_5.JPGimagens/viagens/1/01_09_08_6.JPG

02/09/08 – Córdoba (ARG) – Salto (URU) – 660 Km

Fazia muita seca nesta época, muitos incêndios nas pastagens que começamos a cruzar. Na saída, pela manha, atravessamos uma tempestade de areia. No decorrer do dia, começamos a sair da região árida e entrar gradativamente em pastagens mais verdes, campos com árvores espalhadas aqui e ali. Dava para notar que já estávamos no chamado “pampa úmido”, região no centro da Argentina que se estende de leste a oeste e norte ao sul em um diâmetro de aproximadamente 400 Km. Imagine, no meio do mapa da Argentina uma grande área circular de campos verdes e planos. Aí estão as estâncias de gado, os grandes haras de criação de cavalos, plantações de trigo e alfafa. Neste trecho paramos o carro para comemorar a chegada aos 10.000 Km rodados. Durante a tarde chegamos na cidade de Santa Fé, província (Estado) de mesmo nome. Aqui começamos a travessia do rio Paraná, no túnel subfluvial Raúl Uranga – Carlos Sylvestre Begnis, cada um governador, na época (1960), das províncias de Entre Rios e Santa Fé, respectivamente. Visitamos o centro turístico do túnel, onde obtivemos as seguintes informações: Construído entre 1961 e 1969 por uma empresa alemã; Comprimento somente do túnel: 2.937 m; Comprimento Total com os Acessos de Entrada e Saída: 4.500 m. Na verdade, não foi um túnel cavado. Foram construídos 37 tubos de concreto que depois foram assentados no leito do rio e interligados por anéis de aço. Para assentá-los no fundo, foi preparado uma calha no leito por gigantescas dragas. Depois de assentados e interligados, foi colocado uma espessa camada de terra e lama por cima. Cada tubo tem 65,45 m de comprimento, pesa 4.500 toneladas. O diâmetro interior é de 9,80 m. O diâmetro exterior é de 10,80 m. A espessura da parede 0,50 m. A maior profundidade do túnel é de 32 metros do nível do rio. À tardinha, próximo a divisa com o Uruguai atravessamos a última cidade do nosso roteiro na Argentina, Concórdia.

Depois de regularizar a saída da Argentina e a entrada no Uruguai, em uma única aduana no território argentino, cruzamos a divisa rodando em cima da barragem da hidrelétrica de Salto. Esta obra foi construída no Rio Uruguai e gera energia para os dois países e é a principal do Uruguai.

Já em território Uruguaio, nos hospedamos no Hotel Horacio Quiroga, ao lado da hidrelétrica, às margens do lago. Neste hotel dormimos duas noites e aproveitamos para relaxar nas piscinas com águas termais. Este hotel também possui um parque de águas, onde até piscina com ondas artificiais tem.

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03/09/08

Neste dia ficamos desfrutando do hotel e das atrações que ele oferece.

04/09/08 – Salto (URU) – São Gabriel (BR) – 577 Km

Conscientemente fizemos um trecho maior, somente para conhecer. Normalmente, em outras ocasiões vamos para Artigas (URU) e Quarai (BR), o que diminui aproximadamente 70 Km.

À tarde passamos pela ultima cidade no Uruguai, Rivera, onde regularizamos os documentos para a saída do país. Fizemos algumas compras e fomos até a cidade gaúcha de São Gabriel, onde pernoitamos em um grande e bom hotel ao lado da rodovia, Hotel San Isidro.

05/09/08 – São Gabriel – Taquara – 400 km

Último dia. As emoções estão fortes. Saudades intensas dos filhos, amigos, da comida caseira, da tua casa. Saudades e recordações também da própria viagem que vai terminando. Os sentimentos se misturam e as lágrimas aparecem. Como somos felizes por morar onde moramos, ter os filhos que temos e poder voltar de onde estivemos.imagens/viagens/1/05_09_08_1.JPG

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