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Carretera Austral – Chile

O amor intenso pela América do Sul começou em pequenas viagens que fizemos ao Uruguai, no início da década de 90, onde despertou a vontade de irmos cada vez mais longe.

Em algum momento, eu li ou ouvi falar sobre a Carretera Austral, no Chile. Isso provavelmente aconteceu em Julho de 1990 quando viajei pela primeira vez a este país. Minhas três filhas eram pequenas e fomos de Motor Home até Viña Del Mar, Val Paraiso e Santiago. Ficou desde então latente o desejo de conhecer o país na sua totalidade. Na época, eu não tinha tempo, pois estava em plena atividade profissional. Esta viagem, fizemos em 15 dias corridos. Hoje, o que eu mais tenho é tempo! A partir de início de 2004 quando me aposentei, eu e minha esposa passamos a ter disponibilidade para viajar.

A Carretera Austral foi construída a partir de 1976, pelo ditador Augusto Pinochet, com o propósito de povoar a região e no final da estrada construir uma base militar com aeroporto. Na época Chile e Argentina estavam em pé de guerra em função das discussões das divisas nos dois países, principalmente sobre o domínio total ou não do Canal de Beagle, mais ao sul do continente. A guerra de fato não aconteceu por que, mais tarde, houve interferência direta do Papa João Paulo II. Presume-se que, Pinhochet baseou-se na estratégia brasileira de construir a Transamazônica também na intenção de tomar posse e povoá-la. E assim foi feito. Hoje, no final da Carretera existe Villa O'Higgins, uma pequena cidade com o que foi planejado: uma base militar e aeroporto. Também ao longo de seu percurso, criaram-se diversos povoados.

O propósito do relato desta viagem é auxiliar as pessoas que realmente queiram percorrer esta região, fornecendo o máximo de detalhes possíveis, para que não enfrentem as dificuldades que nós tivemos, na época, para obter informações.

A inspiração veio do desejo de que nossas filhas, genros e netos, um dia refaçam esta viagem.

1º dia - Segunda-feira:

Saímos de nossa cidade, Taquara RS, no dia 25 de outubro de 2010. Optamos por voar de POA a SP; SP a Santiago do Chile e Santiago a Puerto Montt, no mesmo dia. Chegamos a tardinha e nos hospedamos no hotel Holliday Inn, inserido em um shopping a beira da baía. Recebemos a camioneta Santa Fé que já havíamos alugado no Brasil.


Aeroporto Puerto Montt


Puerto Montt


Puerto Montt


Beti em Puerto Montt, varanda do hotel

26/10/10 - Terça-Feira

Ninguém aqui no Brasil conseguia nos dar a situação real do que seria a Carretera Austral. Em pesquisas na internet, sabíamos que a Carretera começava em Puerto Montt, mas que era logo interrompida por travessias de balsa que em determinadas épocas do ano não funcionavam, por falta de demanda. Daí se pode ter uma idéia do quão inóspida é a região. Do inicio em Puerto Montt até o fim da Carretera Austral, que é Villa O-Higgins são aproximadamente 1.240 Km com 90% em estrada de rípio (pedrinhas). Resolvemos então fechar a conta no hotel sabendo que teríamos que nos informar rapidamente e corretamente de como deveríamos proceder para melhor começar o nosso percurso na carretera austral. Depois de muitas conversas na cidade com as mais variadas pessoas, comerciantes, taxistas e centro de informação para turista, fomos encaminhados para a empresa de navegação Navimag, que tem escritório próximo ao porto. Lá nos deram a seguinte situação: realmente a Carretera Austral começa em Puerto Montt, pela Ruta 7 só que até chegar a cidade de Chaiten precisamos utilizar duas balsas, uma que faz a travessia La Arena para Puelche e mais adiante outra que faz a travessia (bem mais longa) de Hornopirén até Caleta Gonzalo. Esta última, na maior parte do ano não funciona, exceto janeiro e fevereiro, que está sempre aberto devido à alta demanda. Nos demais meses, você tem sempre que pesquisar se está funcionando ou não. Como é normal nesta época, final de outubro, a segunda balsa não estava funcionando. Outra opção seria pegar uma balsa que sai da cidade de Quellon e vai até Chaiten. Quellon fica no extremo sul da ilha de Chiloé (pesquisar se não tem outros pontos de saída desta ilha para Chaiten) . Eram 10 horas da manhã e então fizemos a reserva dos nossos tíquetes para as 20 hs daquele dia. Para preencher o dia, resolvemos ir até a primeira balsa ( La Arena ) para testar o carro e passear. No fim da tarde, voltamos e passamos em uma loja de pneus e colocamos a pressão máxima nos pneus, que é a apropriada para rodar em estradas com pedras. O carro que nós tínhamos pedido era uma Toyota Hilux SW 4, mas recebemos uma Hyundai Santa Fé 6 cilindros automática, a gasolina, o que nos deixou, a principio preocupados, sentimento este que logo foi desfeito, visto que o carro se mostrou maravilhoso e muito forte em toda a viagem. Próximo das 18 horas, nos dirigimos ao porto e localizamos o ponto de embarque e ficamos aguardando. Por volta das 19 horas começou o embarque e pontualmente as 20 horas, partimos. Rodamos em torno de 120 quilômetros neste dia.


La Arena


Embarcados em Puerto Montt, esperando partir para Chaiten


Trecho da Carretera Austral entre Puerto Montt e La Arena

27/10/10 - Quarta-Feira

Passamos a madrugada dentro do carro porque esta balsa não dispunha de alojamentos para pernoite, navegando no golfo de Ancud. Por volta das 2:30 horas da manhã paramos em Ayacara, na Península de Huequi, para o desembarque de um caminhão e logo em seguida seguimos viagem. Estava muito frio e ventava muito. Pegamos muitas ondas de frente, minha esposa se assustou muito, mas não houve problema algum. Às 7 horas da manhã chegamos à Chaiten, cidade esta que sofreu em 2008 um desastre ambiental em função de um vulcão que entrou em erupção, próximo à cidade. Ainda havia muitos vestígios da quantidade de cinzas que aterrou uma parte da baía, chamada Ensenada Chaiten, em frente à cidade, inclusive com casas que foram arrastadas por uma torrente de lama e cinzas vindas do degelo causado pelo vulcão. Muitos telhados eram vistos no meio das cinzas, dentro da baía. Nesta hora, propriamente dita, começava a nossa aventura na Carretera Austral.

Rodamos 24 quilômetros no asfalto até El Amarillo,onde começou a estrada de rípio. Andamos mais 19 quilômetros até chegar a Puerto Cárdenas, onde paramos no Hostal Puerto Cárdenas, e tomamos um delicioso café da manhã servido pela proprietária, Dona Viola. Depois disso, passamos pela Ponte Yelcho e pelos povoados: Villa Santa Lucia, Villa Valdívia, La Junta (onde almoçamos)chegando, ao anoitecer em Puyuhuapi, onde nos hospedamos na Hospedaria Alemania. Este povoado fica as margens de um braço do oceano pacífico, que chega até ali, chamado canal Puyuhuapi. Percorremos aproximadamente neste dia 200 quilômetros.


Chegando em Chaiten


Chaiten, observe as cinzas do vulcão


Carretera Austral


Carretera Austral


Tomando um café com Dona Viola, no povoado de El Amarillo


Ponte Yelcho


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


La Junta – Carretera Austral


La Junta – Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Chegando em Puyuhuapi – Carretera Austral


Carretera Austral


Abastecendo em Puyuhuapi – Carretera Austral

28/10/10 - Quinta-Feira

Partimos cedo da manhã e fomos curtindo a viagem por montanhas e vales em direção a Coyhaique. Passamos pelo entroncamento para Puerto Cisnes e resolvemos não visitar este lugar, que fica a 35 quilômetros de distância. Seguimos passando pela Villa Amengual, Manihuales e no próximo entroncamento nos dirigimos a Puerto Aisen e logo em seguida, Puerto Chacabuco. Este último, de vital importância para toda a região, pois recebe navios de passageiros de grande porte e balsas também de grande porte que transportam carretas e automóveis para Puerto Montt, que fica a aproximadamente 450 quilômetros de distância pelo mar.

Retornamos e pegamos a direção para Coyhaique, aonde chegamos ao fim da tarde e nos hospedamos em um conjunto de cabanas no centro da cidade.

Vale ressaltar que esta região é a mais densamente povoada em todo o trajeto. Coyhaique tem 32 mil habitantes.

Neste dia rodamos 320 quilômetros.


Puyuhuapi – Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Chegando em Puerto Aisen


Puerto Aisen


Puerto Chacabuco


Puerto Chacabuco


Voltando de Puerto Chacabuco em direção a Puerto Aisen


Puerto Aisen


Indo em direção a Coyhaique – Carretera Austral


Indo à Coyhaique – Carretera Austral


Coyhaique ao fundo, aos pés da montanha – Carretera Austral


Cordilheira dos Andes, ao fundo de Coyhaique – Carretera Austral


Paradouro com a cidade de Coyhaique ao fundo – Carretera Austral


Coyhaique


Coyhaique


Cabanas onde nos hospedamos, em Coyhaique

29/10/10 - Sexta-feira

Antes de sair da cidade, fomos a um supermercado e aproveitamos para reabastecer o carro com frutas, água, chocolate, biscoitos, etc, por que não sabíamos das opções de alimentação durante o percurso.

Saindo de Coyhaique, andamos 90 quilômetros no asfalto até a Villa Serro Castillo em um trajeto muito bonito onde encontramos neve à beira da estrada. No alto do Serro Castillo existe um Paradouro onde vislumbramos a descida da rodovia em forma de serpente. Ao fundo, um grande vale que termina na Cordilheira dos Andes.

Seguindo viagem, passamos pelo Lago Verde, Puerto Murta e chegamos ao Lago General Carrera, maior Lago do Chile, que na sua ponta mais ao leste é atravessado por uma linha imaginária que divide o Chile da Argentina. No lado argentino ele é chamado de lago Buenos Aires. Esta região que adentramos é chamada de Chile Chico. É possível circundar todo o lago general carrera, pegar uma balsa no povoado Chile Chico até o Puerto Ing. (engenheiro) Ibáñez completando a volta.

Voltando ao nosso roteiro original, chegamos ao povoado de Puerto Rio Tranquilo, onde nos informamos sobre quem poderia nos levar à chamada Catedral de Marmol, ou Catedral de Mármore. Neste local existe o segundo maior maciço de mármore do mundo (o primeiro fica na Italia, em Carrara, daí o nome dos famosos mármores de Carrara).

Há milhões de anos atrás, dois grandes blocos se desprenderam do maciço e caíram dentro do lago, a ação da água e do vento cavou arcos que hoje podem ser visitados com pequenas lanchas. A gente entra nos blocos que são atravessados de um lado a outro por esses túneis feitos pela natureza. É inacreditável o que o tempo, a água e o vento fizeram. Quando você encosta a mão nessas paredes, sente que elas são extremamente lisas. Se tiver sorte de pegar um dia com sol, você verá o mármore tocando o fundo do lago na areia branca.

Neste povoado de Rio Tranquilo existe um serviço de lanchas que em poucos minutos de navegação leva os turistas até lá.

Seguindo nossa viagem descobrimos um lugar belíssimo para nos hospedar: O Mallin Colorado Ecolodge, da Paula e de seu irmão Eduardo (www.protoueschile.com) que fica a beira da Carretera e em frente ao Lago General Carrera. São charmosas cabanas de madeira, construídas na encosta de uma montanha, cujas fachadas de vidro propiciam, lá embaixo, uma linda visão das águas azuis do lago.

Rodamos hoje aproximadamente 260 quilômetros.



Saindo de Coyhaique – Carretera Austral


Carretera Austral


Povoado de El Blanco


Carretera Austral


Ao fundo Cerro Castillo – Carretera Austral


Ao fundo Cerro Castillo – Carretera Austral


Carretera Austral


Ao fundo Cerro Castillo – Carretera Austral


Ao fundo Cerro Castillo – Carretera Austral


Ao fundo Cerro Castillo – Carretera Austral


Começando a surgir a neve, Cerro Castillo – Carretera Austral


Cerro Castillo – Carretera Austral


Cerro Castillo – Carretera Austral


Cerro Castillo – Carretera Austral


Cerro Castillo – Carretera Austral


Começando a descer do outro lado do Cerro Castillo, ao fundo a Cordilheira dos Andes


Caracoles de Cerro Castillo, ao fundo a Cordilheira dos Andes – Carretera Austral


Carretera Austral, seguindo ao sul do Monte Cerro Castillo


Carretera Austral


Carretera Austral


Villa Cerro Castillo – Carretera Austral


Villa Cerro Castillo – Carretera Austral


Carretera Austral, em direção ao sul, depois de Villa Cerro Castillo


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Rio Ibãnez – Carretera Austral aparecendo no canto esquerdo


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral, ao fundo Lago General Carrera


Carretera Austral e Lago general Carrera, ao fundo a Cordilheira dos Andes


Lago General Carrera – Carretera Austral


Lago General Carrera – Carretera Austral


Lago General Carrera – Carretera Austral


Lago General Carrera – Carretera Austral


Carretera Austral


Puerto Rio Tranquilo – Carretera Austral


Puerto Rio Tranquilo – Carretera Austral


Puerto Rio Tranquilo – Carretera Austral


Puerto Rio Tranquilo – Carretera Austral


Puerto Rio Tranquilo – Carretera Austral


Puerto Rio Tranquilo – Carretera Austral


Lago General Carrera – Carretera Austral


Lago General Carrera com as Catedrais de Mármore dentro do lago, à beira do maciço – Puerto Tranquilo


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral

Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Catedral de Mármore – Puerto Tranquilo – Carretera Austral


Carretera Austral


Vertedouro natural do Lago General Carrera para formação de outra pequena lagoa


Ponte General Carrera – Carretera Austral


Lago General Carrera – Carretera Austral


Cabana no Mallin Colorado Ecolodge. Ao fundo, Lago General Carrera – Carretera Austral


Paula, proprietária do Mallin Colorado Ecolodge e minha esposa Beti

30/10/10 – Sábado

Saímos da Pousada, passamos por El Maitén, Puerto Bertrand e em seguida começamos a viajar próximo ao Rio Baker, que é um rio formado pelas águas do Lago General Carrera, que por sua vez é formado por água de degelo. No Lago Gal. Carrera, estas águas sofrem um processo de decantação, ou seja, o pó originário das pedras que vêm rolando com a água do degelo escorrendo montanha abaixo vai para o fundo, deixando a água mais limpa. O Lago Gal. Carrera deságua por um pequeno canal formando em seguida, outro lago menor, chamado Lago Bertrand, aí as águas sofrem novamente mais um processo de decantação. Mais abaixo, as águas desse lago fluem por mais um canal natural, dando início ao Rio Baker, cujas águas são incrivelmente límpidas e de cor azul turquesa, e rica em trutas. Acompanhando o Rio Baker, passamos por uma pousada maravilhosa, entre a estrada e o rio, chamada Green Baker Lodge.

Mais abaixo, o Rio Baker encontra o Rio Nef, que vem direto do campo de Hielo San Valentín, carregado com o sedimento das pedras. A partir daí, o Rio Baker fica com um tom mais leitoso.

Ao meio dia chegamos a uma cidade de 12 mil habitantes, muito simpática chamada Cochrane, cujas ruas centrais são todas de concreto. Ali almoçamos uma deliciosa truta grelhada no Café e Restaurant Nirrantal Patagonia. A proprietária do pequeno restaurante disse que, caso o nosso pernoite fosse em Caleta Tortel, 120 quilômetros adiante, ela deixaria o endereço conosco, de uma conhecida dela que, dispunha de um quarto com banheiros para alugar em sua residência, porque em Caleta Tortel não existem hotéis. As famílias costumam juntar as pequenas economias, e assim que podem, constroem quartos para casal e solteiros. Passamos o resto da tarde viajando até chegarmos a uma encruzilhada, onde uma placa dizia: à direita, Caleta Tortel 22 quilômetros; À esquerda, Puerto Yungay 30. Eram 17 horas. Como o nosso destino era o porto, resolvemos pernoitar lá. Chegamos a Puerto Yungay por volta de 18:30 horas, quando fomos descobrir, que ali era somente um pequeno porto com uma balsa, uma única lancheria e um modesto destacamento do Exercito Chileno. Não havia cidade, muito menos hotel. Conversamos com um cidadão chamado Jorge Barria Ordoñez, que coincidentemente, estava trajando roupas civis, mas era o próprio comandante da balsa que estava em sua hora de folga. Ele nos informou o horário da partida no dia seguinte, e se colocou à nossa disposição.

Extremamente frustrados, por que não nos informamos o suficiente, resolvemos fazer um lanche e tomar um chocolate quente na única lancheria que havia, para descansar um pouco e pensar no que fazer em seguida, tendo somente duas opções: dormir no carro em Puerto Yungay ou voltar 30 quilômetros até o entroncamento e percorrer mais 22 até Caleta Tortel (isso tudo em estrada de chão, e já no escuro!).

Resolvemos encarar até Caleta Tortel, aonde chegamos por volta das 21 horas. Nesta cidade de pescadores e lenhadores não existe circulação de automóveis por que ela foi construída em cima de palafitas, na encosta íngreme de uma montanha, que termina em uma baía de águas do Pacífico. Toda a circulação dentro da cidade é feita por ruelas de madeira em palafitas também, e uma parte se sobrepõe a própria baía, é muito lindo e interessante. Todos os automóveis ficam na parte superior da montanha, em um grande estacionamento redondo e você tem que descer quase 300 degraus de uma escada larga de madeira para chegar na cidade, junto à baía. Quando chegamos embaixo, pedimos que alguém nos levasse de lancha por que teríamos que caminhar muito para circundar até o outro extremo da cidade. A encosta da montanha e a cidade fazem um semi-círculo à direita, trajeto que fizemos pela agua em uma pequena lancha pilotada pelo Paolo. Não entendo como ele se guiou, pois navegamos na completa escuridão. Chegando ao destino, subimos em um pequeno cais e através de corredores (tudo de madeira) chegamos a residência onde nos hospedamos, chamada Hospedaria Brisas del Sur, cuja proprietária é a Senhora Valéria Landeros.

A princípio é um pouco estranho, porque você não entra em um hotel, e sim em uma residência. A janta e o café da manha são feitos junto com a família dona da casa.

Percorremos hoje 242 km, incluindo os 60 km de ida e volta a Puerto Yungay.


Carretera Austral


Carretera Austral, ao fundo Lago Bertrand


Lago Bertrand – Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Rio Baker – Carretera Austral


Rio Baker – Carretera Austral


Rio Baker – Carretera Austral


Carretera Austral

Confluência dos Rios Baker e Neff – Carretera Austral

Rio Baker - Carretera Austral

Rio Baker - Carretera Austral

Rio Baker - Carretera Austral

Rio Baker - Carretera Austral

Carretera Austral com Rio Baker ao fundo, à direita


Carretera Austral


Carretera Austral


Cochrane – Carretera Austral


Cochrane – Carretera Austral


Cochrane – Carretera Austral


Cochrane – Carretera Austral


Cochrane – Carretera Austral


Cochrane – Carretera Austral


Lago Esmeralda – Carretera Austral


Santa Fe Hyundai que alugamos em Puerto Montt, ao fundo Lago Esmeralda – Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Caracoles na Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral – Horário das Balsas


Carretera Austral indo para Puerto Yungay


Carretera Austral


Puerto Yungay – Carretera Austral

31/10/10 - Domingo

Após tomarmos o café da manhã, descemos pela escadaria até um trapiche, aonde Paolo veio nos buscar. Circundando a montanha navegamos até a grande escadaria. Pegamos nosso carro e fomos até Puerto Yungai, onde nos esperava o comandante Jorge Barria Ordoñez. Elegantemente vestido com seu traje de capitão.

O capitão Jorge nos convidou para fazermos a viagem junto com ele na ponte de comando, e fomos conversando sobre a vida. Dalí surgiu uma simpatia mútua. Ele nos perguntou o que conhecíamos do Chile, e respondemos que a única cidade grande que não conhecíamos era Valdívia. Ele ficou admirado e surpreso porque era a cidade onde ele residia.

Nesse momento ele fez um convite: depois que regressássemos a Puerto Montt, que entrássemos em contato com ele por que ele também estaria de volta para duas semanas de folga. Foi aí que ele nos convidou para um jantar em sua residência, com sua esposa. Trocamos os números de telefone e seguimos viagem.

Fizemos a travessia desse pequeno braço de mar em 40 minutos até Puerto Rio Bravo. Retomamos a estrada e andamos os últimos 100 quilômetros até nosso destino final, Villa O´Higgins. Neste trecho, passamos pelo Lago Cisne.

Villa O'Higgins, é povoado de 600 habitantes, que possui um destacamento do exército e um pequeno aeroporto militar. Ela marca o fim da Carretera Austral. Esta estrada foi construída a mando do General Pinochet na década de 70 por que o Chile tinha a intenção de povoar esta região, temendo que a Argentina a invadisse e a ocupasse em função de sérios atritos que vinham se avolumando na época, conflitos que quase resultaram em uma Guerra pela manutenção total do Canal de Beagle, mais abaixo do continente.

Ao sul deste povoado, a construção de estrada torna-se impossível, por que logo em seguida vem o Campo de Gelo Sul. Em função disso, temos aí uma curiosidade muito grande que poucos turistas sabem: todo o chileno que quiser chegar de carro no extremo sul do seu país tem que obrigatoriamente fazer uma parte da viagem em território argentino e todo argentino que também quiser ir ao extremo sul do seu país, também tem que passar dentro de território chileno. A divisão foi feita assim de propósito, um dependendo do outro.

Localizamos o único hotel da cidade, nos hospedamos e no hotel ficamos sabendo que na verdade tinha mais um curto trecho de estrada, até um pequeno porto chamado Puerto Bahamondez. Como a intenção da viagem era ir até o fim, resolvemos fazer mais este trecho porque ainda era meio da tarde, e tínhamos tempo. Deste porto, no verão, sai um barco chamado Hielo Sur, que faz um passeio turístico chamado Patagonia Profunda, que vai visitar os glaciares no Lago O'Higgins.

No fim da tarde, voltamos para Villa O'Higgings, onde passeamos e registramos algumas fotos. A pequena cidade é muito limpa.

Neste dia rodamos 180 quilômetros.


Café da manhã em Caleta Tortel, na Hospedaria "Brisas del Sur", com a proprietária Dona Viola


Vista do quarto em Caleta Tortel. Observe os corredores de palafitas

Saindo da Hospedaria em direção à lancha – Caleta Tortel


Vista da Hospedaria "Brisas del Sur"


Comandante Jorge Baria Ordoñez


Travessia de Puerto Yungay a Rio Bravo


Destino Final, chegada em Villa O'Higgins – Carretera Austral


Ponte sobre Rio Mayer – Carretera Austral


Puerto Bahamondez – Villa O'Higgins – Carretera Austral


Puerto Bahamondez – Villa O'Higgins – Carretera Austral


Aqui é o verdadeiro fim da Carretera Austral, este trecho é logo depois do Puerto Bahamondez


Trecho entre Puerto Bahamondez e Villa O'Higgins


Trecho entre Puerto Bahamondez e Villa O'Higgins


Ponte sobre o Rio Mayer – Carretera Austral


Villa O'Higgins – Carretera Austral


Villa O'Higgins – Carretera Austral


Villa O'Higgins – Carretera Austral


Villa O'Higgins – Carretera Austral


Villa O'Higgins – Carretera Austral


Villa O'Higgins – Carretera Austral


Villa O'Higgins, hotel onde nos hospedamos - Carretera Austral

A VOLTA

01/11/10 – Segunda-feira

Começamos o caminho de volta: 100 quilômetros até Puerto Yungay. Passamos novamente pela balsa, por Cochrane, Puerto Bertrand, indo até o Green Baker Lodge, onde nos hospedamos. Percorremos neste dia 250 quilômetros.


Saindo de Villa O'Higgins, começando a voltar


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral e Rio Baker


Carretera Austral


Carretera Austral, cabanas onde nos hospedamos


Green Baker Lodge - Carretera Austral


Rio Baker – Green Baker Lodge - Carretera Austral


Rio Baker – Green Baker Lodge - Carretera Austral

02/11/10 – Terça-feira

Aproveitamos este dia para descansar. Pela manhã alugamos um bote inflável com piloto e navegamos por cerca de duas horas nas águas cristalinas do Rio Baker. A tarde, agora de carro, fomos visitar a confluência do Rio Baker com o Rio Nef. Também caminhamos nos arredores, onde pudemos registrar um pouco da fauna: um gavião e um pica-pau. Hoje fizemos 32 quilômetros.


Rio Baker – saindo para passeio de bote


Rio Baker – Carretera Austral


Confluência do Rio Baker com Rio Neff


Confluência do Rio Baker com Rio Neff


Pica-Pau


Falcão

03/11/10 – Quarta-feira

Seguindo a viagem de volta na Carretera Austral, passamos por Coyhaique, onde paramos a tarde para fazer um lanche e caminhar na cidade, continuando a viagem até Puerto Aisen e depois até Puerto Chacabuco, onde nos hospedamos em um grande e muito bom hotel, chamado Loberías del Sur, a beira do porto. Neste dia andamos aproximadamente 370 quilômetros. Hoje marca o final da viagem de carro na Carretera Austral, relembrando: de Chaiten até Villa O'Higgins, e daí de volta até Puerto Chacabuco, em um total de 1.848 quilômetros.


Lago General Carrera – Carretera Austral


Rio Baker – Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Carretera Austral


Puerto Chacabuco, Hotel Loberías del Sur – Carretera Austral


Puerto Chacabuco, Hotel Loberías del Sur – Carretera Austral

04/11/10 – Quinta-feira

Fechamos a conta no hotel e cedinho nos dirigimos para o Porto que fica praticamente em frente. Compramos os tíquetes e aguardamos o embarque na grande balsa da Navimag, chamada Evangelista, para retorno até Puerto Montt em uma viagem de 24 horas. Todo o processo demorou até meio da tarde, quando partimos. Esta barca é tao grande que além dos automóveis ela carrega muitas e muitas carretas, tendo inclusive cabines para casais com banheiro, restaurante, sala de leitura, deck superior de observação, etc.


Balsa Evangelista, Puerto Chacabuco


Aguardando para embarcar, Puerto Chacabuco – Carretera Austral


Nosso carro dentro da Balsa Evangelista

05/11/10 –Ssexta-feira

Navegamos durante toda a madrugada e chegamos no final da tarde desta sexta-feira em Puerto Montt e nos hospedamos no hotel Club El Presidente, às margens da baía.


Chegada em Puerto Montt


Ancoradouro em diversos níveis, em função das marés – Puerto Montt


Descendo a rampa dentro da Balsa Evangelista, Puerto Montt

06/11/10 – Sábado

Como estávamos muito cansados e na região caiu uma chuva pesada, resolvemos descansar bastante no hotel. No fim da manhã fomos ao mercado de artesanato e gastronomia, chamado Mercado Angelmó, todo construído em madeira a beira da baía, próximo ao porto. À tarde passeamos de carro pela cidade. Rodamos hoje 40 quilômetros.

07/11/10 – Domingo

Resolvemos dedicar este dia para conhecer a chamada Isla Grande de Chiloé. Saímos de Puerto Montt pela Ruta 5, pegamos a balsa onde fizemos a travessia de Pargua a Chacao, transpondo o canal de Chacao. A primeira cidade que visitamos foi Ancud. Seguindo pela Ruta 5 fomos a Castro, e Quellon. No fim da tarde fizemos o caminho de volta e chegamos à noite no hotel, por volta das 21 horas. Esta grande ilha, chamada Arquipélago de Chiloé, merece mais tempo para poder conhece-la melhor. Percorremos hoje 560 quilometros.


Nosso carro na balsa com destino à grande Ilha de Chiloé


Ancoradouro de Chiloé


Ilha de Chiloé


Ilha de Chiloé


Cidade de Ancud, Ilha de Chiloé


Ancud, Ilha de Chiloé


Castro, Ilha de Chiloé


Castro, Ilha de Chiloé


Castro, Ilha de Chiloé


Ilha de Chiloé, Ruta 5, próximo a Castro


Ilha de Chiloé, cidade de Quellón, ao sul da ilha


Ilha de Chiloé, cidade de Quellón, ao sul da ilha


Mercado Municipal da cidade de Chonchi, ilha de Ciloé


Cidade de Chonchi, Ilha de Chiloé


Ruta 5, ilha de Chiloé


Ruta 5, ilha de Chiloé


Mercado à beira da Ruta 5, ilha de Chiloé

08/11/10 – Segunda-feira

Resolvemos fechar a conta no Hotel Club El Presidente em Puerto Montt, por que decidimos hoje fazer a parte inicial da Carretera Austral e não sabíamos certo onde estaríamos ao anoitecer, então fomos de Puerto Montt até o Porto de La Arena, onde fizemos a travessia do Estreito de Reloncavi até Caleta Puelche, seguindo em direção a Contao e Hornopirén. Neste trajeto encontramos uma característica muito forte da região e famosa no mundo inteiro: as pequenas igrejas de madeira, pintadas com cores alegres e vibrantes, construídas a partir do Século 18. Voltamos a tardinha pelo mesmo caminho e nos hospedamos na cidade de Puerto Varas, no hotel Bella Vista. Percorremos aproximadamente 265 quilômetros.


Porto de La Arena, travessia para Caleta Puelche – Carretera Austral


Carretera Austral, indo para Hornopirén


Carretera Austral


Igrejas centenárias de madeira – Carretera Austral


Igrejas centenárias de madeira – Carretera Austral


Carretera Austral, em direção à Hornopirén


Carretera Austral


Hornopirén – Carretera Austral


Carretera Austral, voltando de Hornopirén


Igrejas centenárias de madeira, à beira da Carretera Austral


Caleta Puelche, embarque para travessia até o Porto de La Arena

09/11/10 – Terça-feira

Saímos em direção a Valdívia, onde nos hospedamos em um conjunto de cabanas próximo ao rio. Passeamos pela cidade, e a noite, fomos saborear um delicioso assado na casa do amigo capitão Jorge Barria Ordoñez. Percorremos hoje em torno de 200 quilômetros.


Jantar oferecido pelo comandante Jorge Baria Ordoñez e sua esposa, na residência do casal em Valdívia. Comandante Baria na foto, de colete preto


Esposa do comandante Baria servindo um assado

10/11/10 – Quarta-feira

No inicio da manhã passemos mais um pouco pela cidade de valdívia e voltamos pela Ruta 5 até Puerto Varas, onde novamente nos hospedamos no Hotel Bella Vista, em frente ao Lago Llanquihue. Almoçamos ali. Saímos de Puerto Varas e passamos por Ensenada até Petrohué. Retornando pelo mesmo caminho, aproximadamente 20 quilômetros, pegamos a esquerda e fomos até Ralún, onde encontramos o fim do Estuário Reloncavi. O início deste estuário é marcado entre o Porto de La Arena e a Caleta Puelche. Retornamos até Puerto varas, onde pernoitamos. Hoje percorremos 373 quilômetros.


Hotel Dreams Pedro de Valdívia


Valdívia


Valdívia


Valdívia


Valdívia


Valdívia


Valdívia


Valdívia


Valdívia


Valdívia


Ruta 5 em direção à Puerto Varas


Ruta 5, em direção à Puerto Varas, com vista do Vulcão Ozorno, à esquerda


Cidade de Puerto Varas, ao fundo vulcão Ozorno


Ruta 225, de Puerto Varas a Petrohué, igreja centenária de madeira


Ária de madeira

Ruta 225, de Puerto Varas a Petrohué, ao fundo vulcão Ozorno


Ruta 225, Lago Llanquihue, ao fundo vulcão Ozorno


Ruta 225 vulcão Ozorno


Ruta 225 em direção à Ralún


Ruta 225


Fim do Estuário de Reloncavi – Povoado de Ralún

Ruta 225, voltando de Ralún para Ensenada

Ruta 225, voltando de Ralún para Ensenada

Ruta 225 de Ensenada a Puerto Varas

11/11/10 – Quinta-feira

Encerramos a conta e nos dirigimos ao Aeroporto de Puerto Montt onde fizemos a devolução do carro. O total de quilômetros que fizemos com este veículo foi 3.442. Hoje fizemos 30 quilômetros. Almoçamos no aeroporto, e no inicio da tarde voamos para Santiago, onde nos hospedamos no Hotel Radisson Petra La Dehesa.


Aeroporto de Puerto Montt, momentos antes de devolver a camioneta

12/11/10 – Sexta-feira

Passeamos muito por Santiago, e na época estava em construção o que seria o maior prédio da América Latina, chamado Sky Costanera, um centro comercial com uma torre de 70 andares. Naquela ocasião a construção estava no 43º pavimento.

13/11/10 – Sábado

Esse foi o dia que marcou o fim da nossa viagem. Voamos de Santiago para São Paulo, São Paulo/ Porto Alegre, e de carro de Porto Alegre até Taquara.

Dados da viagem:

3.442 quilômetros percorridos, sendo que 1.848 na Carretera Austral

20 dias

Dados de contato:

Paulo Luiz de Paula:
contato@viajecomigo.com.br

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